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Eu te amo, mas... NÃO! Como impor limites aos filhos.


Cenas do nosso cotidiano: o filho pede com insistência por mais um doce na fila do supermercado, e diante o "não!" da mãe, abre o berreiro. Os brinquedos, tênis e roupas vivem espalhados pelo chão da casa. O pai reclama que a filha adolescente volta tarde para casa, sem avisar aonde havia ido. A escola já chamou os pais pela segunda vez para tratar da indisciplina da criança.

Essas são apenas algumas das queixas mais comuns dos pais sobre a falta de limites dos filhos.

Colocar limites, ou disciplina nos pequenos é uma tarefa árdua, mas possível. Exigências do mundo atual obrigam os pais a trabalharem cada vez mais para garantir o bem estar da família. No entanto, a ausência provoca em muitos o sentimento de culpa e, na tentativa de compensar as exaustivas horas longe dos filhotes, os pais não conseguem dizer “não”, permitindo a eles que façam tudo o que quiserem.

Qual o resultado? A perda de autoridade dos pais e a falta de limites das crianças. Apesar de difícil a tarefa de dizer NÃO a um ser humano tão pequeno, os limites são importantes na vida da criança, pois funcionam como uma proteção. A criança que não possui uma disciplina regular dentro de casa, além de provocar angustia nos pais, também terá dificuldades em seguir regras em outros contextos.

As relações sociais são permeadas de regras de convivência em grupo: seja na família, no trabalho ou na escola sempre há “normas” que asseguram os direito e deveres de todos. Como ela vai conseguir dividir experiências com os amigos se não seguir, por exemplo, as regras de um jogo? No futuro, quando adulta, como poderá ser bem sucedida se não conseguir respeitar as normas de uma empresa? Qual será a qualidade das relações afetivas de uma pessoa que não consegue manter relacionamentos duradouros porque não aceita as demandas do outro e do mundo?

Ensinar regras para a criança leva tempo, e exige a astúcia dos pais para observar e diferenciar birras de reais necessidades da criança. É muito importante ser explícito com o filho, mostrando-lhe exatamente seus deveres, o certo e o errado, e quais serão as conseqüências de suas atitudes. Limite é antes de mais nada um fator fundamental para a formação da saúde mental e das relações da criança e do futuro adulto.

Aqui vão algumas dicas para os pais:

Seja claro e pontual.

Quando pedimos para uma criança fazer ou parar com algo, nosso hábito é de seguir com uma grande explicação de porquê tal ação é necessária. Se nossos filhos não respondem à primeira explicação, gastamos tempo e energia em tentar convencê-los novamente.

Se a criança não entendeu porque está sendo solicitada a fazer ou deixar de fazer algo, dificilmente ela será convencida por mais e mais explicações. O que ela precisa entender é que há uma HIERARQUIA, e tudo o que você pede é para o bem dela e deve ser cumprido.

Seja firme.

Ao dar inúmeros avisos à criança, os pais mostram aos filhos que não há efetividade no que é dito e por isso a consequência virá apenas após muitos erros e birras. As crianças entendem que para que a corda da tolerância dos pais se rompa é possível esticá-la e que até que isso ocorra nada irá acontecer a elas.

Não bajule.

Caso as frases a seguir lhe sejam familiares no diálogo com seus filhos, repense! "Se você arrumar seu quarto, ganhará um brinquedo”, “faça toda a lição e te dou um chocolate” ou ainda “passe de ano e receberá um tablet”. Quando os adultos coagem seus filhos a fazerem seus deveres em troca de benefícios, estes só retornarão a realizá-los quando a recompensa for convincente o bastante para animá-los. Com isso nos deixamos vulneráveis para que tenhamos que oferecer maiores e melhores ‘mimos’ a cada pedido feito. As crianças devem agir dentro de um senso de obrigação.

Não ameace.

Ameaças funcionam com, por exemplo, "se você não guardar seus brinquedos agora, não iremos ao parque essa tarde. Assim, abre-se um contrato e isso dá margem para a criança negar a oferta. "Tudo bem.", ele pode responder. E você, o que fará?

Não puna.

Algumas crianças aprendem através das punições, mas muitas apenas se tornam ressentidas, agressivas e irritadas.

Mas então o que fazer? Peça, mantenha-se e aja.

Os pais devem pedir o que deve ser feito e observar a resposta do filho. Isso dará a eles uma informação importante. Ao negar a fazer o que lhes foi pedido, a criança irá expressar a recusa através de três formas: a tristeza, irritação ou distanciamento. A tristeza é simbolizada por chateação: eles parecem ofendidos e dizem ‘por que eu?’. A irritação se manifesta em confronto: eles discutem e o acusam de ser injusto com eles. O distanciamento é caracterizado por indiferença: eles ignoravam você, olham para outro lado e continuam o que estão fazendo. Esta é a sentença de que não farão o que lhes foi pedido.

Hora então de manter-se firme!

Vá até o seu filho, levante-se e fique ao seu lado. A presença física poderá representar um limite e simbolizará que a criança deverá fazer o que foi pedido. Falem baixo ao passo que olham fixo à criança enquanto reiteram o que deve ser feito. Isso mostrará que os pais estão não somente no controle da própria voz, mas também da situação.

E por fim, se seu filho não respondeu a nenhuma das ações anteriores, é preciso agir. A coisa mais efetiva a se fazer é usar a ‘distância emocional’ até que ele esteja pronto para fazer o que foi pedido. Pegue-o e o leve para o quarto. Ele será bem-vindo para se juntar à família assim que estiver pronto para fazer o que lhe foi pedido, e deixe-o sozinho. Ele poderá refletir e então, quando pronto, retornar à família ao fazer o que lhe foi pedido.

Caso a criança seja maior, e tirá-las do lugar seja mais difícil, os pais podem determinar a si mesmos que não farão nada até que o filho esteja pronto para fazer o que foi pedido. Quando a criança aparecer com um pedido, você poderá calmamente lembrá-la de que ficaria feliz em atendê-la, assim que ela fizer aquilo que foi estabelecido (e ignorado) anteriormente. Ele poderá fazer duas ou três tentativas para chamar sua atenção, mas acabará entendendo que precisa fazer o que foi solicitado pelos pais.

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